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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ferramentas – a Praktica

Acabo de completar, com a chegada de uma encomenda pelo correio, a minha máquina revolucionária.

Se calhar isto precisa de alguma explicação. A máquina não tem nada de revolucionário, não é um exemplar da mais nova e avançada tecnologia.
Escolhi chamá-la revolucionária porque pretendo que seja a ferramenta que utilizarei para fotografar manifestações, greves ou outros movimentos de protesto social.

Talvez com algum preconceito associado, o conjunto é constituído por elementos provenientes de países com regimes muito pouco (ou nada) democráticos, de domínio comunista, sendo o corpo uma Praktica MTL 5 B, fabricada na República Democrática Alemã e a lente de 58 mm, uma Helios 44M-4, Zenit, da União Soviética. Dois elementos apenas destoam: um filtro UV da Hama (da Alemanha, fabricado nas Filipinas) e uma correia da Canon (do Japão).


Escolhi esta máquina por diversas razões. A primeira é o facto de me ter aparecido à frente (a um preço baixíssimo) e em bom estado numa loja da Cash Converters (sim, é verdade que tenho algum fascínio por estas lojas; é que ao contrário da loja especializada em fotografia e que o vendedor quer receber o dinheiro correspondente ao objecto fotográfico, e na Cash
Converters o que o vendedor pretende é ganhar algum dinheiro por um objecto que já não utiliza ou que provavelmente nunca utilizou). Os preços são, por isso, baixos e os objectos podem estar em muito bom ou em muito mau estado. Cabe ao comprador avaliar.

Voltando à questão da máquina, o que estava à venda era a máquina e respectivo manual de utilização, com uma lente Pentacon 50 f/1.8 (com filtro protector e tampa) e um estojo de “pele”. Como a máquina permite um funcionamento totalmente manual, experimentei-a mesmo sem a pilha (só serve para activar o fotómetro e eu tenho um fotómetro de mão da Sekonic) e o teste detectou apenas um problema: o anel de aberturas da lente não estava a funcionar. Aliás, o anel rodava, o diafragma em f/1.8 é que não fechava. Mas como, felizmente, as lentes do sistema M42 são relativamente abundantes e a preços muito acessíveis, resolvi comprar a máquina. Optei uma Helios 44M-4 para substituir a Pentacon, que comprei no eBay por 16€, escolha influenciada por uma experiência em sucedida há dez anos com uma Zenit com uma lente igual. Boa construção, sólida, e com uma excelente qualidade óptica. A abertura máxima é
bastante boa – f/2.0 – embora a mínima pudesse ser um diafragma para além do f/16 que oferece.

Com uma pilha chinesa para o fotómetro espero que este conjunto robusto esteja à altura das excursões fotográficas a que a pretendo levar. E, já agora, que também o fotógrafo esteja à altura do equipamento.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Eu e a fotografia

Lembro-me de numa conversa em 1998 ter dito que não gostava de fotografia. Porque a fotografia é apenas uma mutilação da realidade, a transposição para a percepção de um sentido daquilo que foi vivido por cinco. Por isso tenho poucas recordações de férias, de momentos festivos. Porque há coisas que devem ser guardadas na memória que, ainda que mais inteira, se rarefaz com o tempo, sem a redução a uma imagem. Acho sempre que é um desperdício do momento tentar fixá-lo numa fotografia.

Mas gosto de fotografia, de outra, diferente, de maior desprendimento emocional. Umas vezes espontânea, outras mais trabalhada e construída, um momento de beleza, especificamente construído para não ser vivido com outros sentidos que não a visão.

É isto que tento fazer, com o que sei, com o que vou aprendendo, com o pouco tempo que tenho disponível e que foge sempre...

Curiosamente foi no mesmo ano de 1998 que comecei a fotografar. Desde então tenho vindo a melhorar o equipamento fotográfico que possuo, centrando-me por vezes mais na qualidade e quantidade de equipamento do que na realização fotográfica, sempre numa perspectiva de profissionalizar a minha actividade fotográfica.

Foi em 2010 que a minha postura fotográfica se alterou substancialmente de forma que espero que seja duradoura. Dois factores contribuíram para esta mudança:

- A impossibilidade de ambicionar (por incompatibilidades laborais) que a fotografia se tornasse uma actividade profissional:

- Um workshop de fotografia em Paris (a que não fui).

Se o primeiro me trouxe uma desresponsabilização da fotografia, uma não preocupação de tentar tornar a fotografia em algo rentável, o segundo, através do relato preciso de quem lá esteve ajudou-me a direccionar e a perceber melhor por que caminhos pretendo enveredar para fazer com a máquina fotográfica algo que me safisfaça realmente.


Afinal... o que é que eu ando a fazer?

Participei num passeio fotográfico (ou photowalk, que é como parece soar melhor) pelas ruas de Lisboa, organizado por dois colectivos de fot...